A pesquisa-ação nos espaços de atuação
“Os
gestos da vida cotidiana, quando vistos como inexoravelmente conectados com um
espaço, têm o potencial de criar, renovar e rejuvenescer os locais em que vivemos.” (Charles Schwall)
A pesquisa-ação na
linguagem artes visuais do Programa Vocacional na Casa de Cultura Cora Coralina
proporciona através de experimentações a
participação e “desvelamento” da realidade e sua efetiva transformação pela
ação, começando pelo espaço em que ocupamos.
Nos encontros
acontecem muitas experiências e ações que revigoram os Vocacionados e o Artista
Orientador. Aprendemos a desacelerar e deixar que os acontecimentos e situações
influenciem a maneira em que os nossos espaços são usados. Os jovens se apropriaram
dele, o vivenciam e encontram seu lugar dentro dele. No ritmo do cotidiano
acontecem as conexões entre o tempo e espaço, experiências passadas se voltam
para o futuro. Habitamos nossos espaços e fazemos a diferença em nossas
rotinas. Recriamos este espaço a cada dia e encontramos o significado deste
lugar.
Chamamos este espaço
de Ateliê, o qual é formado por elementos, cada um com sua identidade,
propósito e possibilidades. São partes individuais que criam o todo, um
universo estimulante que convida a interações. É um ambiente que permite
possibilidades para pesquisas e experiências. Nele nós testamos coisas,
experimentamos, temos liberdade para pesquisar coisas, as quais conhecemos ou
não temos nenhum conhecimento.
Pensar a ação do
Artista Orientador requer analisar as condições objetivas nas quais elas
ocorrem. O espaço das instituições culturais nas quais o Programa Vocacional
atua é um dos elementos de sustentação da práxis pedagógica e sua organização
indica inúmeros elementos, tais como: condições objetivas para efetivar as
propostas em relação aos vocacionados.
Quando se propõe a utilização de linguagens
artísticas, os resultados das explorações vinculam-se à organização dos espaços
em relação ao projeto a ser efetivado. A preparação do espaço vinculado à
proposta para a ação potencializa o processo de experimentação de troca.
A concepção estética e de arte
vinculada ao cotidiano de todos pode ser identificada com a Bauhaus. Entre 1919
e 1928, impregnou com suas ideias, movimentos posteriores nas artes em geral,
na arquitetura e na educação artística desenvolvida em escolas, além de outros
segmentos expressivos. Um dos mestres da Bauhaus, Moholy-Nagy afirmou:
Todo
mundo está equipado pela natureza para receber e
assimilar
experiências sensoriais. Todo mundo é sensível
aos
tons e cores, tem tato seguro e reage ao espaço etc. Isso
significa
que, por natureza, cada um é capaz de participar de
todos
os prazeres das experiências sensoriais, que qualquer
homem
sadio, pode também tornar-se um musicista, pintor,
escultor,
arquiteto, do mesmo modo que quando fala ele é
um
orador. (apud Silveira, 1973, p. 246.)
Esse movimento
contagia e alarga a concepção de habilidade manual pura e simples para uma
habilidade mais refinada, que consiste em desenvolver a consciência entre
mente, olho e mão, o que pode, segundo seus integrantes, revelar as desarmonias
do mundo e uma maior acuidade estética.
Dessa forma, proporcionar a
expressão com as linguagens artísticas nos espaços culturais, deveria
desencadear a experiência de usar materiais de diversas naturezas para a
criação livre. Essa experimentação evoca os postulados de Pierce:
[...] o artista seleciona elementos e sistemas
visuais, combina
materiais
e procedimentos técnicos, elabora – no campo da
obra
de arte – significações capazes de intervir na cultura E,
no
coletivo, propicia descobertas: a criatividade humana, dirigida
à
experiência de linguagem, dispõe-se ao conhecimento mais geral,
compartilhado.
(Rizolli, 2005, p.172).
Essa abordagem poderia
fazer parte das propostas no interior das instituições culturais,
proporcionando a chance da escolha refletida, seja inicialmente pelo fazer
empírico desencadeado pela própria experimentação dos materiais disponíveis,
seja pelo aprofundamento de um projeto, com a pesquisa de formas e expressões
artísticas.
Referências
RIZOLLI,
M. Artista, cultura, linguagem. Campinas: Akademika, 2005.
SCHWALL,
Charles. O ambiente e os materiais do
ateliê. ARTMED: Porto Alegre, 2014.
SILVEIRA,
N. A concepção educacional de Herbert Read. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos,
Brasília, jun. 1973.

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